Sou psicanalista, com formação sólida, porém não acho que temos que antagonizar com a terapia comportamental.

A verdade é que vivemos por recompensa, seja física ou emocional.

 

Mas como assim?

 

Isso mesmo! Os adultos trabalham pelo salário e reconhecimento; estudam para tirar notas ou obter um título; namoram para obter carinho, companheirismo, amor correspondido, enfim.

 

Até quando sofremos em um relacionamento abusivo há um ganho. Claro que este ganho não é consciente, ele é secundário. Um casal em que um grita e o outro que aceita estão fazendo um pacto entre eles. Um que humilha e outro que é humilhado (ou que aceita a humilhação).

 

Sei que sair de uma situação em que temos ganhos secundários e inconscientes não é tarefa fácil, e que sozinho é quase que impossível, e necessita de ajuda de um psicólogo para te fortalecer e poder fazer escolhas conscientes.

 

Mas até aqui falamos de adultos.

 

E as crianças?

Como fazem as coisas por recompensa?

 

As crianças fazem isto o tempo todo. Vão à escola para aprender, agradar aos pais, brincar e se divertir. Em 20 anos de experiência profissional até hoje eu não encontrei nenhuma criança que não quer ser bem sucedida na escola. Alguns até desistem de aprender por não conseguirem ou porque a tarefa está muito difícil, mas no fundo de sua alma, ela também quer aprender e ter êxito, mesmo falando o contrário.

 

Ou seja, não existe criança preguiçosa, há aqueles que preferem a recompensa de serem reconhecidos como preguiçosos do que incompetentes. Pais! Apoiem seus filhos quando perceberem que estão fugindo da tarefa de aprender, pois no fundo o que estão mostrando como um comportamento ‘preguiçoso’ pode ser na verdade sentimento de inferioridade diante de uma situação que a criança julga impossível conseguir.

 

Autora: Alessandra Bizeli

Pedagoga, Psicoterapeuta, Mestre em saúde da criança e do adolescente pela faculdade de medicina da Unicamp.

Parceria: Clínica SabiaMente

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